Quais são os tipos de forró? Conheça agora!

Conheça aqui um pouco dessa história

Publicado 21/03/2026 às 13:55
Redação Forró Nordeste
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Você conhece todos os tipos de forró? Não? Então aqui nós vamos te mostrar um pouco sobre isso. Mas é importante lembrar que com o tempo e as mudanças no gênero, nem tudo é tão preto no branco e simples, pois até mesmo os tipos de forró já contam com seus subgêneros, mas vamos deixar isso para mais para frente, certo? 

Mas para começar, vamos com uma temática bem didática para o lado mais tradicional do forró: o Pé de Serra, Baião, Arrasta-pé, Xote. E quem explica isso é um dos maiores nomes da história, o grande discípulo de Luiz Gonzaga, o mestre Dominguinhos. No vídeo a seguir, em apenas cinco minutos, Dominguinhos mostra na prática a diferença entre esses e outros ritmos dentro do forró;

O Pé de Serra, como diz o próprio Dominguinhos, é o forró puro, com a sanfona, a zabumba e o triângulo em sua batida característica. É a base daquilo que sempre vimos em festas de São João. No Baião nós já vemos uma batida um pouco mais rápida e uma marcação mais forte na zabumba e na sanfona. O baião também foi o ritmo que Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira popularizaram em todo o Brasil. No Arrasta-pé temos um ritmo ainda mais acelerado e o ritmo tem tudo a ver com o nome, já que era literalmente sobre dançar arrastando os pés nas antigas salas de reboco do sertão nordestino. Já no Xote, temos uma diferença maior em relação aos outros dois, que é algo um pouco mais cadenciado, talvez mais "balançado" e isso, inclusive, é possível ver no modo de dançar o xote, que é bem mais "tranquilo" do que os demais estilos. É o famoso "Dois pra lá e dois pra cá" e muitas vezes é considerado o melhor para um iniciante aprender a dançar.

E aqui voltamos a algo dito no começo da notícia, todos esses ritmos estão dentro da asa do Forró Pé de Serra, como se o Pé de Serra fosse a base e todos eles fossem os subgêneros e adaptações.

Antes de chegar ao Forró Eletrônico, passamos pelo Forró Universitário, que muitas pessoas conhecem principalmente com os principais divulgadores do estilo: a Falamansa. A Falamansa já vinha com mais instrumentos, percussão, violão e tudo isso já motivados e inspirados por nomes como Alceu Valença, Elba Ramalho e outros artistas da década de 70 e 80 que já vinham modernizando o forró.

Mas existia uma diferença entre a Falamansa e eles, já que a Falamansa sempre foi uma banda de Xote, e aqui voltamos ao Pé de Serra, mas um Xote com mais elementos, talvez menos cadenciado e diferente do original. A banda começou a fazer sucesso justamente entre os universitários, em São Paulo, e daí também surgiu o termo.

Com a Falamansa, diversas outras bandas surgiram na mesma linha, como a Rastapé, que também teve um grande sucesso na época.

E aqui nós falamos sobre o Forró Eletrônico, mas para falar sobre ele, precisamos antes falar sobre um nome muito importante na cultura do forró. Curiosamente é um nome que ajudou muito o forró eletrônico, mas ele não tem nenhuma ligação direta com o forró eletrônico, pelo contrário. Estamos falando de Jorge de Altinho, que nos anos 80 resolveu colocar os metais dentro do forró e acabou revolucionando o estilo. Para quem não sabe, quando falamos de metais estamos falando sobre instrumentos de sopro como o saxofone, trompete e trombone.

Jorge colocou uma orquestra com metais em um de seus CDs e, curiosamente, foi muito criticado na época, com pessoas falando sobre ele estar descaracterizando o forró, mas o projeto também fez bastante sucesso. Dez anos depois, aquilo seria um marco para o forró eletrônico.

E aqui chegamos, finalmente, no Forró Eletrônico dos anos 90. Existe alguma polêmica sobre quem começou isso, mas em uma conformidade geral, a Mastruz com Leite, de Emanuel Gurgel, leva o mérito. Mas e o que seria esse forró eletrônico? As bandas tinham mais elementos, as vezes até dois ou três sanfoneiros, tinham trios de metais, teclado, bateria, contrabaixo, guitarra elétrica, percussão e vários elementos além daqueles que faziam o forró Pé de Serra e até mesmo aqueles já usados por Elba, Alceu e outros artistas.

Também foi feita uma mudança no estilo das letras, que ainda falavam bastante sobre o nordeste, como Luiz Gonzaga, mas também usavam o romantismo atrelado a vaquejada.

Bandas como a Mastruz com Leite, Limão com Mel e Magníficos eram as principais do gênero durante os anos 90. E aqui dentro do forró eletrônico nós vemos que, muitas vezes, a diferença entre um estilo ou outro é pouca e, em certas ocasiões, é uma mudança bem mais comportamental e de estética do que em musicalidade, de fato.

No final dos anos 90, bandas como a Brasas do Forró ajudaram a trazer um novo tipo de forró, o chamado vanerão, mas aqui cabe uma explicação; o vanerão é um ritmo tipicamente gaúcho, mas no contexto do nordeste, ele é uma mistura entre o forró nordestino e o vanerão gaúcho.

Daí para frente, existem diversos tipos de forró que acabam sendo muito próximos, alguns mudam poucas coisas, mas ainda existem essas mudanças. No começo dos anos 2000 foi criada a Pisadinha, que era caracterizada principalmente pelo uso do teclado, mas disso nós vamos falar depois, já que a antiga pisadinha se transformou no que hoje conhecemos como Piseiro.

Nos anos 2000 tivemos uma volta muito forte do forró de duplo sentido, que nesse caso apenas era diferente nas letras, mas seguia a estética de várias bandas da época, como a própria Brasas do Forró e outras, antes de ganhar um estilo próprio que era uma verdadeira mistura de tudo que já vinha sendo tocado, mas uma das vertentes mais fortes foi o forró romântico. Bandas como a Calcinha Preta e a Limão com Mel se destacaram por terem como principais elementos as letras românticas e a força de instrumentos como o violão e a guitarra.

Na mesma época o Forró de Vaquejada, que hoje é tão forte, já ganhava essa força. Principalmente impulsionado por nomes como Kara Veia. Era um forró acelerado, feito para dançar, que falava principalmente sobre coisas da vaquejada e também tinha uma presença estética forte, além de ser bem mais forte no interior. Aqui, a sanfona ganhava mais força que outros instrumentos, com os metais que sempre foram fortes dentro do forró eletrônico. Muitas bandas de forró de vaquejada, inclusive, nem utilizam metais.

Depois delas, foram bandas como Saia Rodada e Aviões do Forró, que de certa forma eram bastante versáteis e, ao mesmo tempo em que cantavam uma música de duplo sentido num vanerão, também tinham uma música romântica, uma pisadinha e outros estilos dentro do que faziam. Na época muitos chamavam de Forró Estilizado, que hoje em dia pode ser só uma outra palavra para o forró eletrônico.

Mas no final de 2005 e começo de 2006 a Saia Rodada lançou a Saia Elétrica, como uma forma de fazer as bandas de forró conseguirem mais espaço dentro do carnaval. A partir dali, durante uma época, era difícil uma banda de forró não ter sua versão elétrica, que nada mais era do que fazer forró em cima de um trio, com sanfona, zabumba e outros elementos, num ritmo bem mais acelerado.

Abaixo coloco uma versão normal e uma em forró elétrico da mesma música:

Normal

Elétrico

Também podemos citar a Aviões do Forró como um exemplo clássico do forró dos anos 2000.

A próxima grande mudança, que nem foi grande assim, foi a época da, digamos, playboyzada, capitaneada por nomes como Wesley Safadão, na Banda Garota Safada e Douglas Pegador, no Forró Pegado.

As diferenças são menores do que eram antes, mas ainda é possível perceber. Por exemplo, no vídeo acima, o contrabaixo tem um volume alto dentro da banda, algo que era bem comum nos anos 2010. Mas a partir dessa época o forró eletrônico não era tão diferente entre as bandas, sendo mais diferente entre estilo, com bandas de forró romântico, de forró de vaquejada e aquelas que faziam uma mistura maior.

Uma grande mudança só foi vista durante a pandemia, há alguns anos, com o Piseiro, uma evolução da Pisadinha, ganhando força com nomes como João Gomes, Barões da Pisadinha, Mari Fernandez  e Vitor Fernandes.

O Piseiro acabou ganhando o Brasil e se transformando em uma das vertentes mais fortes do gênero, mas curiosamente, até ele já evoluiu. Antes a banda de João Gomes, por exemplo, não tinha bateria, não tinha saxofone e nem percussão, assim como outros artistas, que hoje já contam com esses instrumentos.

E não se engane, não parou por aí, ainda existem outros subgêneros que podemos falar em outras matérias, como o Forró de Favela ou "De Perifería", uma mistura do forró com o brega de Recife-PE, dando um tom romântico e que tem esse nome por ser muito escutado nas periferías, assim como o brega, mas neste caso, em Fortaleza-CE.

Esse foi apenas um pequeno resumo de vários tipos de forró e um pouco das mudanças que aconteceram ao longo do ano.